Um indicador melhorar ou piorar durante um governo não prova causalidade exclusiva. Políticas adotadas, contexto internacional, defasagens, Banco Central, Congresso e mudanças metodológicas também importam.
Três ciclos distintos
| Período | Presidência | Marcos relevantes |
|---|---|---|
| 2003–2010 | Presidente do período 2003–2010 | Bolsa Família, valorização real do salário mínimo, expansão da educação federal, Farmácia Popular, crescimento forte em parte do ciclo e crise global de 2008–2009. |
| 2011–ago/2016 | Dilma Rousseff | Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida em escala, continuidade da expansão educacional, saída do Mapa da Fome em 2014 e recessão profunda em 2015–2016. |
| 2023– | Presidente do período iniciado em 2023 | Retomada do Bolsa Família, nova política de valorização do salário mínimo, queda recente de pobreza e desemprego e nova saída do Mapa da Fome. |
Resultados sociais documentados
Fome
A FAO registrou a saída do Brasil do Mapa da Fome em 2014. Em 2025, o país voltou a ficar abaixo do limiar do indicador, considerando a média trienal 2022–2024; o relatório de 2026 confirmou permanência fora no triênio seguinte.
Pobreza recente
Na série harmonizada do IBGE, a pobreza caiu de 31,6% em 2022 para 27,3% em 2023 e 23,1% em 2024; a extrema pobreza caiu de 5,9% para 4,4% e 3,5%.
Trabalho
Em 2025, a taxa anual de desocupação foi 5,6%, menor nível da PNAD Contínua. Esse dado descreve o mercado de trabalho e não é atribuído integralmente ao governo federal.
Desigualdade
O Gini do rendimento domiciliar per capita chegou a 0,504 em 2024 e subiu para 0,511 em 2025. A melhora, portanto, não foi linear.
Educação
O MEC registra 140 unidades de educação profissional federal construídas de 1909 a 2002 e mais de 500 novas unidades entre 2003 e 2016, chegando a 644 campi em funcionamento em 2016. Os períodos têm durações diferentes e o número de unidades não mede sozinho qualidade, permanência ou aprendizagem.
Salário mínimo e renda
Entre 2003 e 2010 houve ganhos reais sucessivos do salário mínimo em vários anos. Em 2023, a Lei 14.663 estabeleceu novamente uma política de valorização vinculada à inflação e ao crescimento real do PIB de dois anos antes, observadas regras fiscais posteriores. Efeitos distributivos precisam ser analisados junto com emprego, informalidade, produtividade e custo fiscal.
Economia: resultados favoráveis e negativos
PIB de 2010
Crescimento de 7,5%, com efeito de base após 2009 e contexto de recuperação da crise financeira global.
Inflação no primeiro ciclo
O IPCA fechou 2010 em 5,91%, depois de 9,30% em 2003. A trajetória não foi linear.
Recessão de 2015–2016
O PIB caiu 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016. Esse é um dos principais resultados negativos do ciclo Dilma.
Inflação recente
O IPCA fechou 2023 em 4,62%, 2024 em 4,83% e 2025 em 4,26%.
Direitos sociais e religiosos
Os períodos incluem Estatuto da Pessoa Idosa, Lei Maria da Penha, normas sobre autonomia das organizações religiosas e reconhecimento institucional de manifestações religiosas. A página Fé & política separa garantia constitucional de liberdade religiosa das leis específicas sancionadas.
Corrupção e responsabilidade
Na Ação Penal 470, o STF condenou agentes políticos, empresários e operadores financeiros, incluindo figuras ligadas ao PT. Casos envolvendo contratos da Petrobras também produziram condenações, acordos e ressarcimentos. Responsabilidade penal individual, responsabilidade partidária, governança e impacto político não são a mesma categoria.
Balanço
Os documentos sustentam avanços relevantes em combate à fome, expansão educacional e proteção social em determinados períodos, além de resultados favoráveis recentes em pobreza e emprego. Também sustentam corrupção envolvendo agentes ligados aos governos, problemas de governança e recessão severa em 2015–2016. O balanço mantém essas afirmações simultaneamente.
Fontes principais
- Secretaria-Geral / FAO — saída do Mapa da Fome em 2014
- MDS / FAO — SOFI 2026
- IBGE — pobreza e extrema pobreza, 2012–2024
- IBGE — mercado de trabalho em 2025
- IBGE — Gini e rendimentos em 2025
- MEC — expansão da Rede Federal
- Planalto — Lei 14.663/2023
- IBGE — PIB de 2010
- IBGE — recessão 2015–2016
- STF — conclusão da AP 470