Como ler esta página
“Governos do PT” não é um período único e homogêneo. Lula governou de 1º de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2010; Dilma Rousseff, de 1º de janeiro de 2011 a 31 de agosto de 2016; e Lula voltou à Presidência em 1º de janeiro de 2023. Por isso, os resultados abaixo são apresentados por ciclo e por indicador, evitando somar anos diferentes como se fossem uma única administração.
Um indicador melhorar durante um governo não prova, sozinho, que o governo foi a única causa. A página registra políticas adotadas, contexto internacional, defasagens e mudanças metodológicas.
Linha do tempo resumida
| Período | Presidência | Marcos para este dossiê |
|---|---|---|
| 2003–2010 | Lula I e II | Bolsa Família, valorização real do salário mínimo, expansão federal de educação profissional, Farmácia Popular, crescimento forte em parte do ciclo e crise mundial de 2008–2009. |
| 2011–ago/2016 | Dilma I e parte do II | Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida em escala, continuidade da expansão educacional, saída do Mapa da Fome em 2014, mas também forte deterioração econômica e recessão em 2015–2016. |
| 2023–presente | Lula III | Retomada do Bolsa Família, nova política de valorização do salário mínimo, queda de pobreza e desemprego e nova saída do Mapa da Fome; inflação e desigualdade exigem acompanhamento anual. |
Resultados sociais documentados
Fome
A FAO registrou que o Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014. Segundo a Secretaria-Geral da Presidência, a população em subalimentação caiu 82% entre 2002 e 2013. Em julho de 2025, a FAO voltou a classificar o país fora do Mapa da Fome, com média trienal 2022–2024 abaixo de 2,5% de prevalência de subnutrição.
Pobreza recente
Na série harmonizada divulgada pelo IBGE, a pobreza caiu de 31,6% em 2022 para 27,3% em 2023 e 23,1% em 2024; a extrema pobreza caiu de 5,9% para 4,4% e depois 3,5%. Entre 2023 e 2024, cerca de 8,6 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza segundo esse critério.
Trabalho
Em 2025, a taxa anual de desocupação foi 5,6%, a menor da série da PNAD Contínua iniciada em 2012; o rendimento real habitual anual também atingiu recorde da série. Isso descreve o resultado do mercado de trabalho, mas não autoriza atribuí-lo integralmente ao governo federal.
Desigualdade
O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita chegou a 0,504 em 2024, menor nível da série revisada do IBGE, mas subiu para 0,511 em 2025. A página, portanto, não tratará a queda da desigualdade como uma tendência automaticamente permanente.
Educação: uma expansão mensurável
O Ministério da Educação registra 140 escolas técnicas federais construídas de 1909 a 2002. Entre 2003 e 2016 foram implantadas mais de 500 novas unidades, chegando a 644 campi em funcionamento em 2016. A comparação é historicamente expressiva, mas os períodos têm durações muito diferentes; por isso, o site mostrará tanto o total quanto a taxa de expansão por período.
Salário mínimo e renda
Entre 2003 e 2010 houve ganhos reais sucessivos do salário mínimo em vários anos. Em 2023, a Lei nº 14.663 restabeleceu uma política permanente de valorização: correção pela inflação mais crescimento real do PIB de dois anos antes, observadas as regras fiscais posteriores. O efeito distributivo deve ser analisado junto com emprego, informalidade, produtividade e custo fiscal.
Economia: avanços e limites
Crescimento em 2010
O PIB cresceu 7,5% em 2010, maior taxa desde 1986 naquele momento, segundo o IBGE. O próprio IBGE observou que o resultado foi favorecido pela baixa base de comparação de 2009, ano afetado pela crise financeira global.
Inflação
O IPCA fechou 2010 em 5,91%, depois de 9,30% em 2003. Não se trata de trajetória linear: houve anos de inflação maior e menor, e a análise precisa considerar metas, câmbio, alimentos, energia e política monetária.
Recessão de 2015–2016
O PIB caiu 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016, dois anos consecutivos de recessão profunda. Esse é um dos principais resultados negativos do ciclo Dilma e não será omitido.
Inflação recente
No terceiro mandato de Lula, o IPCA fechou 2023 em 4,62%, 2024 em 4,83% e 2025 em 4,26%. A queda de 2025 não apaga pressões relevantes em itens como alimentação em 2024 e energia em 2025.
Direitos sociais e religiosos
O balanço inclui leis de proteção social e de reconhecimento de direitos: Estatuto da Pessoa Idosa, Lei Maria da Penha, normas de autonomia das organizações religiosas e reconhecimento institucional de manifestações cristãs. A página Fé & política detalha essas medidas e diferencia garantia constitucional de liberdade religiosa de leis específicas sancionadas em cada governo.
Corrupção e responsabilidade política
Os avanços sociais não anulam fatos de corrupção. Na Ação Penal 470, o STF condenou integrantes do chamado núcleo político, incluindo José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, além de réus de outros partidos e do setor financeiro. Casos envolvendo contratos da Petrobras também produziram condenações e acordos em diferentes processos. O site separa responsabilidade individual, responsabilidade partidária, responsabilidade administrativa e efeito sobre políticas públicas; esses temas são aprofundados em Corrupção sem torcida e Lava Jato.
Balanço provisório
Há evidência robusta de avanços em combate à fome, expansão educacional, proteção social e, em períodos específicos, renda e emprego. Também há evidência robusta de corrupção envolvendo agentes ligados aos governos, problemas de governança e uma recessão severa em 2015–2016. Uma leitura séria precisa sustentar as duas afirmações ao mesmo tempo.
Fontes principais desta página
Prioridade para órgãos estatísticos, legislação e decisões judiciais.
- Secretaria-Geral / FAO — saída do Mapa da Fome em 2014
- MDS / FAO — SOFI 2026: Brasil permanece fora do Mapa da Fome
- IBGE — pobreza e extrema pobreza, 2012–2024
- IBGE — mercado de trabalho em 2025
- IBGE — Gini e rendimentos em 2025
- MEC — expansão da Rede Federal
- Planalto — Lei 14.663/2023
- IBGE — PIB de 2010
- IBGE — recessão de 2015–2016
- STF — conclusão da AP 470