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Governos & democracia

Governos do PT

A página reúne avanços, falhas e controvérsias dos governos liderados pelo PT. O objetivo é permitir uma avaliação socialmente orientada sem apagar fatos inconvenientes.

Última auditoria editorial e técnica: 28 de agosto de 2026.

Como ler esta página

“Governos do PT” não é um período único e homogêneo. Lula governou de 1º de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2010; Dilma Rousseff, de 1º de janeiro de 2011 a 31 de agosto de 2016; e Lula voltou à Presidência em 1º de janeiro de 2023. Por isso, os resultados abaixo são apresentados por ciclo e por indicador, evitando somar anos diferentes como se fossem uma única administração.

Regra de causalidade

Um indicador melhorar durante um governo não prova, sozinho, que o governo foi a única causa. A página registra políticas adotadas, contexto internacional, defasagens e mudanças metodológicas.

Linha do tempo resumida

PeríodoPresidênciaMarcos para este dossiê
2003–2010Lula I e IIBolsa Família, valorização real do salário mínimo, expansão federal de educação profissional, Farmácia Popular, crescimento forte em parte do ciclo e crise mundial de 2008–2009.
2011–ago/2016Dilma I e parte do IIMais Médicos, Minha Casa Minha Vida em escala, continuidade da expansão educacional, saída do Mapa da Fome em 2014, mas também forte deterioração econômica e recessão em 2015–2016.
2023–presenteLula IIIRetomada do Bolsa Família, nova política de valorização do salário mínimo, queda de pobreza e desemprego e nova saída do Mapa da Fome; inflação e desigualdade exigem acompanhamento anual.

Resultados sociais documentados

Fome

A FAO registrou que o Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014. Segundo a Secretaria-Geral da Presidência, a população em subalimentação caiu 82% entre 2002 e 2013. Em julho de 2025, a FAO voltou a classificar o país fora do Mapa da Fome, com média trienal 2022–2024 abaixo de 2,5% de prevalência de subnutrição.

Pobreza recente

Na série harmonizada divulgada pelo IBGE, a pobreza caiu de 31,6% em 2022 para 27,3% em 2023 e 23,1% em 2024; a extrema pobreza caiu de 5,9% para 4,4% e depois 3,5%. Entre 2023 e 2024, cerca de 8,6 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza segundo esse critério.

Trabalho

Em 2025, a taxa anual de desocupação foi 5,6%, a menor da série da PNAD Contínua iniciada em 2012; o rendimento real habitual anual também atingiu recorde da série. Isso descreve o resultado do mercado de trabalho, mas não autoriza atribuí-lo integralmente ao governo federal.

Desigualdade

O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita chegou a 0,504 em 2024, menor nível da série revisada do IBGE, mas subiu para 0,511 em 2025. A página, portanto, não tratará a queda da desigualdade como uma tendência automaticamente permanente.

Educação: uma expansão mensurável

O Ministério da Educação registra 140 escolas técnicas federais construídas de 1909 a 2002. Entre 2003 e 2016 foram implantadas mais de 500 novas unidades, chegando a 644 campi em funcionamento em 2016. A comparação é historicamente expressiva, mas os períodos têm durações muito diferentes; por isso, o site mostrará tanto o total quanto a taxa de expansão por período.

Salário mínimo e renda

Entre 2003 e 2010 houve ganhos reais sucessivos do salário mínimo em vários anos. Em 2023, a Lei nº 14.663 restabeleceu uma política permanente de valorização: correção pela inflação mais crescimento real do PIB de dois anos antes, observadas as regras fiscais posteriores. O efeito distributivo deve ser analisado junto com emprego, informalidade, produtividade e custo fiscal.

Economia: avanços e limites

Crescimento em 2010

O PIB cresceu 7,5% em 2010, maior taxa desde 1986 naquele momento, segundo o IBGE. O próprio IBGE observou que o resultado foi favorecido pela baixa base de comparação de 2009, ano afetado pela crise financeira global.

Inflação

O IPCA fechou 2010 em 5,91%, depois de 9,30% em 2003. Não se trata de trajetória linear: houve anos de inflação maior e menor, e a análise precisa considerar metas, câmbio, alimentos, energia e política monetária.

Recessão de 2015–2016

O PIB caiu 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016, dois anos consecutivos de recessão profunda. Esse é um dos principais resultados negativos do ciclo Dilma e não será omitido.

Inflação recente

No terceiro mandato de Lula, o IPCA fechou 2023 em 4,62%, 2024 em 4,83% e 2025 em 4,26%. A queda de 2025 não apaga pressões relevantes em itens como alimentação em 2024 e energia em 2025.

Direitos sociais e religiosos

O balanço inclui leis de proteção social e de reconhecimento de direitos: Estatuto da Pessoa Idosa, Lei Maria da Penha, normas de autonomia das organizações religiosas e reconhecimento institucional de manifestações cristãs. A página Fé & política detalha essas medidas e diferencia garantia constitucional de liberdade religiosa de leis específicas sancionadas em cada governo.

Corrupção e responsabilidade política

Os avanços sociais não anulam fatos de corrupção. Na Ação Penal 470, o STF condenou integrantes do chamado núcleo político, incluindo José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, além de réus de outros partidos e do setor financeiro. Casos envolvendo contratos da Petrobras também produziram condenações e acordos em diferentes processos. O site separa responsabilidade individual, responsabilidade partidária, responsabilidade administrativa e efeito sobre políticas públicas; esses temas são aprofundados em Corrupção sem torcida e Lava Jato.

Balanço provisório

Há evidência robusta de avanços em combate à fome, expansão educacional, proteção social e, em períodos específicos, renda e emprego. Também há evidência robusta de corrupção envolvendo agentes ligados aos governos, problemas de governança e uma recessão severa em 2015–2016. Uma leitura séria precisa sustentar as duas afirmações ao mesmo tempo.

Fontes principais desta página

Prioridade para órgãos estatísticos, legislação e decisões judiciais.