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Economia & comparação

Comparador de governos

Comparar governos exige a mesma régua, períodos claramente definidos e marcação de eventos excepcionais como pandemia e crises externas.

Última auditoria editorial e técnica: 29 de agosto de 2026.

Comparar governos sem fabricar um placar

O comparador não atribui uma “nota final” a presidentes. Ele organiza séries que possuem definição e período compatíveis e assinala quando a comparação direta é impossível ou enganosa.

Regra principal

Mesmo indicador + mesma metodologia + mesma unidade + datas explícitas. Quando qualquer uma dessas condições falha, o comparador mostra a ruptura em vez de esconder o problema.

Indicadores selecionados

IndicadorReferência anteriorReferência posteriorO que podemos concluir
IPCA10,06% em 2021; 5,79% em 20224,62% em 2023; 4,83% em 2024; 4,26% em 2025Houve desaceleração frente ao pico de 2021. Não se atribui toda a variação ao presidente: Banco Central, câmbio, energia, alimentos e choques externos importam.
Desocupação anual13,2% em 2021; 9,3% em 20225,6% em 2025Queda forte na série PNAD Contínua. A série começa em 2012, portanto não é usada para comparar diretamente Lula I com períodos atuais.
Pobreza monetária31,6% em 202227,3% em 2023; 23,1% em 2024Queda expressiva na série harmonizada do IBGE. Benefícios sociais, emprego, renda e preços fazem parte dos mecanismos possíveis.
Gini0,517 em 2022 e 20230,504 em 2024; 0,511 em 2025Melhora em 2024 e reversão parcial em 2025: desigualdade não cai de forma automática ou permanente.
Mapa da FomeBrasil fora no triênio 2011–2013; voltou em 2019–2021Fora em 2022–2024 e permaneceu fora em 2023–2025O indicador é média trienal e não pode ser convertido em “ninguém passa fome”.

Três ciclos que exigem contexto

Lula I e II — 2003–2010

Expansão de políticas sociais, educação federal e renda, crescimento forte em parte do ciclo e impacto da crise global de 2008–2009. PIB de 2010 cresceu 7,5%, com efeito de base após 2009.

Bolsonaro — 2019–2022

Pandemia; governo defendendo inicialmente R$ 200 no Auxílio Emergencial, Congresso elevando e aprovando R$ 600, depois sancionados e executados pelo Executivo; Pix implantado pelo Banco Central; inflação de dois dígitos em 2021; recuperação do emprego em 2022 e conflitos institucionais relevantes.

Lula III — 2023–

Queda recente de pobreza e desemprego, saída do Mapa da Fome, PIB crescendo 2,3% em 2025 e inflação de 4,26%, com desafios de desigualdade, informalidade e investimento.

Caso-teste de atribuição: Auxílio Emergencial de 2020

O auxílio de R$ 600 é um exemplo de por que a Teovera separa proposta, negociação legislativa, sanção e execução. Dizer apenas “Bolsonaro deu R$ 600” apaga a disputa que definiu o valor; dizer que o Executivo não teve papel algum apaga a sanção, regulamentação e execução posteriores.

EtapaValor / fatoAtribuição documental
Proposta inicial do governoR$ 200A Câmara registrou expressamente que esse era o valor proposto pelo governo.
Primeira versão do relatório na CâmaraR$ 500O substitutivo incorporou sugestões de vários partidos e elevou o piso da negociação.
Negociação finalR$ 600Após negociações parlamentares, o Executivo aceitou o valor de R$ 600.
Aprovação e sançãoR$ 600Câmara e Senado aprovaram; Bolsonaro sancionou; a Lei 13.982/2020 fixou o benefício.

Parlamentares de oposição, inclusive de partidos de esquerda, pressionaram por um benefício maior e contestaram a proposta inicial de R$ 200. O registro institucional, porém, mostra também participação de diversos partidos e negociação com a liderança do governo. A formulação mais precisa é: a esquerda e a oposição tiveram papel relevante na pressão pelo aumento, o Congresso construiu e aprovou o valor final de R$ 600, e o governo Bolsonaro posteriormente o sancionou e executou.

Regra de atribuição

Em políticas públicas, “quem propôs”, “quem alterou”, “quem aprovou”, “quem sancionou” e “quem executou” podem ser atores diferentes. O comparador registra todas essas etapas.

Onde a comparação direta é proibida

  • desemprego do início dos anos 2000 versus PNAD Contínua sem ponte metodológica;
  • valores nominais de orçamento de anos diferentes sem corrigir inflação e tamanho da economia;
  • valor autorizado por emenda versus valor comprovadamente desviado;
  • unidade habitacional contratada versus entregue;
  • bolsa de estudo versus financiamento estudantil;
  • um ano de inflação versus média de mandato sem explicar choques.

Matemática que o leitor poderá reproduzir

Para cada comparação, o site informará fórmula, unidade e período. Variação percentual será calculada como (valor final − valor inicial) ÷ valor inicial × 100; diferenças entre taxas serão apresentadas em pontos percentuais quando apropriado.

Ponto percentual não é porcentagem

Uma taxa que cai de 10% para 5% caiu 5 pontos percentuais, ou 50% em termos relativos. Misturar essas duas formas é uma fonte comum de propaganda numérica.

Sem “campeão” automático

Um governo pode ter melhor desempenho em emprego e pior em inflação; ampliar serviços e falhar em integridade; ou colher efeitos de políticas implantadas antes. O comparador foi desenhado para que essas contradições permaneçam visíveis.

Fontes principais