CRÍTICAS INTERNAS À EVOLUÇÃO

Eles encontram falhas na teoria, mas continuam acreditando na evolução.

Nem toda crítica à evolução vem de criacionistas. Alguns pesquisadores consideram que o neo-darwinismo e a Síntese Moderna não explicam adequadamente tudo o que a biologia moderna revelou. Mesmo assim, continuam acreditando que a evolução ocorreu e trabalham para ampliar, reformular ou substituir partes da teoria.

DN
FISIOLOGIA · OXFORD

Denis Noble

Noble critica a visão gene-cêntrica do neo-darwinismo. Para ele, redes fisiológicas, ambiente, epigenética e interações em vários níveis tornam insuficiente a ideia de que genes ocupam uma posição causal privilegiada.

Mesmo vendo essas falhas, ele continua acreditando na evolução. Sua proposta é construir uma teoria evolutiva mais integrada e menos centrada exclusivamente nos genes.
GM
BIOLOGIA EVOLUTIVA · UNIVERSIDADE DE VIENA

Gerd B. Müller

Müller argumenta que a Síntese Moderna deixou de fora processos importantes como desenvolvimento, plasticidade fenotípica, construção de nicho e mecanismos de geração de novidade biológica.

Mesmo vendo essas limitações, ele continua acreditando na evolução. Defende uma Síntese Evolutiva Estendida que incorpore mecanismos ausentes do modelo clássico.
JS
GENÉTICA E BIOLOGIA MOLECULAR · UNIVERSITY OF CHICAGO

James A. Shapiro

Shapiro descreve células como participantes ativos na reorganização do genoma e trabalha com a ideia de “engenharia genética natural”. Isso contrasta com versões simplificadas em que toda inovação genética aparece apenas como uma sequência de pequenas mudanças aleatórias.

Mesmo criticando o modelo clássico, ele continua acreditando na evolução. Para Shapiro, esses mecanismos celulares fazem parte de uma visão evolutiva do século XXI.
KL
BIOLOGIA EVOLUTIVA

Kevin Laland

Laland e outros pesquisadores defenderam que a teoria evolutiva precisava levar mais a sério processos como construção de nicho, plasticidade, desenvolvimento e formas de herança que não cabem bem no quadro clássico da Síntese Moderna.

Mesmo defendendo uma reformulação importante, ele continua acreditando na evolução. A discussão é sobre como a evolução acontece e quais mecanismos precisam entrar no modelo.
EJ
HEREDITARIEDADE E EPIGENÉTICA · TEL AVIV UNIVERSITY

Eva Jablonka

Jablonka mostra que hereditariedade não se resume à sequência do DNA. Sistemas epigenéticos podem transmitir estados e respostas entre gerações, ampliando o que precisa ser considerado em uma teoria da evolução.

Mesmo mostrando que a herança é mais ampla do que a genética clássica previa, ela continua acreditando na evolução. Seu trabalho procura incorporar esses mecanismos a uma visão evolutiva mais abrangente.

O ponto em comum

Esses cientistas não dizem que a evolução deve ser abandonada. O que eles mostram é que versões clássicas do darwinismo e da Síntese Moderna podem deixar mecanismos importantes de fora, simplificar demais a relação entre genes e organismos ou não explicar suficientemente a origem de novidades biológicas.

Isso torna o debate mais interessante: uma teoria científica também muda por dentro quando novas descobertas revelam que seus mecanismos precisam ser ampliados.

Ampliado em 19 de setembro de 2026.